15 de junho de 2015

Seleção Brasileira estreia na Copa América sob a desconfiança da torcida

Não há mais Hino Nacional cantado a plenos pulmões nem apoio nos momentos difíceis — e muito menos o tradicional “eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. A relação da torcida com a Seleção Brasileira está abalada desde o traumático fim da Copa do Mundo do ano passado e foi isso que os comandados de Dunga sentiram na pele na volta da equipe ao Brasil, onde houve a preparação para a Copa América. Nos dois amistosos que fizeram no país antes de embarcar para o Chile, as vaias e a falta de público chamaram mais atenção do que o futebol em si.
O primeiro adversário do Brasil, às 18h30 deste domingo, será o Peru, comandado pelo neoflamenguista Paolo Guerrero (leia mais na página 2). A Seleção de Dunga estreia em uma competição oficial 11 meses e dois dias depois dos 3 x 0 diante da Holanda, goleada sofrida aqui em Brasília, e que só piorou o moral tão abalado pelo vexaminoso 7 x 1 para a Alemanha, em Belo Horizonte: a Copa do Mundo começou com cinco vitórias e acabou com dois massacres.
Nem as 10 vitórias seguidas após o Mundial, todas em amistosos, foram capazes de reconquistar a confiança. O número de brasileiros que vão acompanhar a Seleção in loco, no Chile, será menor do que em outras edições do torneio, mas nem mesmo a distância, pela tevê, a mobilização deve ser muito grande.
Presente na despedida do Brasil na Copa, naquela derrota de 3 x 0, no Mané Garrincha, o estudante Lucas Reis, 23, se diz desiludido e diz que só vai acompanhar a Copa América porque é fanático por futebol. “Se fosse só Seleção, eu não assistiria. O futebol brasileiro está uma vergonha, jogos muito ruins. Depois daquele jogo contra a Holanda, eu não me empolguei mais”, confessa, acrescentando que espera bons jogos de Argentina e Chile, mas não do time de Dunga.
Lucas lembra do silêncio no Mané Garrincha depois que a Seleção tomou dois gols da Holanda em 16 minutos. “Estava com meu irmão, e não acreditávamos que estava acontecendo de novo. Para nós, foi até pior do que o 7 x 1 para a Alemanha, porque estávamos ao vivo. Eram 70 mil pessoas, mas um silêncio assustador”, recorda, antes de sentenciar. “Acho que vai ser muito difícil recuperar nosso orgulho. Talvez só na próxima Copa.”
Confiança
Mesmo entre os que estiveram na melancólica partida contra a Holanda, no Mané, há quem esteja mais otimista. Natália Marques Luz, 28 anos, começa a se empolgar com a aproximação da Copa América. “Não perco um jogo do Brasil. Apesar do vexame no ano passado, acho que temos que manter o apoio. Estou reunindo a família para ver a estreia”, conta a arquiteta.
O filho dela, Rafael, 5 anos, também espera momentos melhores da Seleção. Apesar de ainda muito novo, ele já tem memórias que prefere esquecer da amarelinha. “Lembro que torci muito para o goleiro, contra a Holanda, para a gente não tomar mais gol. Era o Julio Cesar. Tomara que agora a gente faça mais gols do que tome”, resumiu, inocentemente, o menino que herdou da mãe a paixão pelo futebol — e a confiança de que dias melhores virão.

Zé Doca em Foco

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