29 de novembro de 2017

33 vítimas de feminicídio e mais de 2,5 mil mulheres agredidas no Maranhão


Trinta e três. 33 mulheres foram assassinadas no Maranhão pela condição de serem mulheres, conforme dados do Departamento de Feminicídio do Estado. Apenas no primeiro semestre de 2017, foram registrados 2.537 ocorrências de violência na Delegacia Especial da Mulher (DEM). Os motivos parecem variar, mas são sempre semelhantes: um homem incapaz de aceitar que a mulher não é propriedade particular e não aceitam o término de um relacionamento, segundo aponta um levantamento do Tribunal de Justiça do Maranhão.
A despeito dos números assombrosos, em um estado ainda marcado pelo machismo rústico, alguns ainda negam os crimes de feminicídio. “Feminicídio?”, “Quem garante que ela morreu só por ser mulher?”.
Outros consideram mimimi de progressistas ou feministas. Afinal, se o assassino não cometer o crime gritando, em alto e bom som, “Você merece morrer porque é mulher”, vão relutar em dizer que não existe crime de gênero no Maranhão e que “Em briga de marido e mulher não se mete a colher”.
Não é difícil entender. O feminicídio, e a negação dele, evidentemente, nada mais é de que uma cultura enraizada em nossa terra que, em vez de ser arrancada, germinou: “Tenha sua mulher na palma da mão, nem que seja preciso usar a força”“Mulher é assim mesmo, merece ser tratada na rédea”. Ou seja, o extremo do patriarcado que se agigantou. Ou mais fatal, sempre esteve ali e não teve a devida atenção.
Os assassinatos de Mariana Costa, assassinada no ano passado, e da menina Alanna Ludmila, ocorrido meses atrás, para citar os de mais repercussão, foram casos que nos chocaram, nos fizeram refletir e despertaram os ouvidos para o tema. Quantas outras mulheres serão assassinadas para evoluirmos no pensamento humano, assumirmos a devida culpa, e entender que colaboramos com a desgraça também, quando, por exemplo, incentivamos os filhos a carregar a pecha da cultura machista ou quando somos complacentes com uma agressão próxima e não denunciamos? Quantas outras mulheres que são nossas familiares, vizinhas, amigas de trabalho, estão à beira da morte, sendo agredidas, e fingimos não ver? Quando vamos entender que também somos responsáveis, independente do gênero que carregamos? Continuaremos negando a existência de um fenômeno social reduzindo-o o problema é só do outro?

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